Sunday, November 22, 2009

O último ano, Em qualquer lugar.

Sempre foi o não-lugar, o não-espaço, o não-dito (por mais que houvesse uma superfície tão dramaticamente verborrágica. Kitsch. Not up for it anymore). Não vimos os filmes, os shows, não ouvimos as músicas, não estivemos naquelas cidades. Talvez fôssemos imagens projetadas num lençol improvisado. (Nem ali talvez fosse verdade. Minha dor só era real ali. Ela nunca estivera e nunca mais esteve.)Não há nada que carregue valor simbólico.

Hoje, mesmo com toda essa pós-modernidade, como diria um bom amigo, não posso me comunicar. Ano passado fui a primeira, ainda que longe, no anterior, rechaçada, no que veio antes, houve apenas a malaise de não ter sido chamada (muito embora não houvesse motivo para tal) e ouvir as histórias de que não participei.
Porque talvez não tivesse as minhas.
E agora são tantas.
E suficientes para não te desejar felicidades no dia de hoje.
(Finalmente sincera como tanto querias, e como não lembras mais.)
A culpa de ter lembrado é, ironicamente, da pós-modernidade. E da malaise que alguém que você nunca conhecerá suscitou.
E é possível que este seja o último ano. Provável, na verdade.
Não desejo felicidades.
Nada.
Não sou fã de happy endings.
Apenas realista, e meus pés estão mais do que nunca bem pregados no chão.
Talvez minha última homenagem seja ver uma foto sua. Antiga, claro.
Para mais tarde respirar leve o ar de Paris.

Tuesday, November 17, 2009

agora. só.

Somewhere i'd rather be.
When we are all from the same (although we wouldn't recognize).
But we're not from the same. E não estou nem aí.

Tuesday, November 03, 2009

A priori, a posteriori

A fúria enquanto chove, só porque você gosta da chuva, aplacada por um cigarro. A mesma expectativa, de que meus atos solitários (sem qualquer traço de erotismo) sucitem alguma reação.
Expectations, just because you like the song.
A mesma ausência. A priori e a posteriori.
Queria acreditar em inferno astral. Ou que.
As luzes do prédio em frente viessem de outro lugar. Muito mais ordinário. Como eu não admito ser.

Saturday, October 24, 2009

Impublicável

MEUS OMBROS LARGOS QUE INFECTAM QUALQUER TENTATIVA DE DOÇURA DO MEU CORPO MAGRO, MEUS OLHOS FUNDOS QUE MACULAM MINHA PELE BRANCA AINDA CHEIA DE RESQUÍCIOS DE OUTROS TEMPOS, ESTES EM QUE EU PODERIA... MINHA FALTA DE DELICADEZA FAIBLEMENT DÉGUISÉE SUR LA MASQUE D’UNE JEUNE FILLE FRAGILE, ÉTRANGÈRE A UNE VILLE, AUX PLAISIRS OU À LA CONSTANCE. O ÚNICO PRAZER É O DE ABRIR O DICIONÁRIO JÁ NA LETRA CERTA.

Friday, October 23, 2009

Wearing purple under gray skies

O céu está abrindo aos poucos. E eu preferiria que continuasse da cor que você mais gosta.

Tudo continua rodando devagar.

E espero. Como moça bem comportada.

Vestindo roxo e esperando que o céu cinzento de Paris lembre alguma coisa.

Sunday, August 23, 2009

Immigrant Punk

Não sei de onde veio isso. Talvez o recalque por causa da viagem da escola a qual não fui. Chorei de raiva quando soube. Eu já não era mais daquela escola, mas a turma escolhida seria a minha.
Mas teve um show, quando eu tinha 14 anos. Eu jamais dançara. Fui sozinha. E ali dancei pela primeira vez, não pude controlar. O efeito foi melhor do que o de quase qualquer droga, mesmo hoje, tantos anos passados.

Talvez sempre tenha estado em mim. Faz sentido. Mas não sei se teria feito diferença se soubesse disso antes. Talvez eu soubesse tocar alguma coisa, talvez tivesse uma iniciativa pioneira. Nada disso. Nem a preparação para a carreira de atriz, as aulas de desenho, nem os contos publicados ou o livro finalizado aos 21.

Mas é isso. Não há muito o que dizer.

Também houve um filme, eu devia ter uns 13. Deve ter sido um dos primeiros ditos “de arte” a que assisti e com o qual automaticamente pirei. Gravei em VHS e via repetidamente.

Só hoje juntei os fatores.

Só espero encontrar outros que entendam a satisfação de não pertencer a lugar nenhum, ou talvez, a um impresso apenas em algum lugar muito fundo na carne, como um gene adormecido há gerações.

No mundo ideal, eu pararia tudo e viveria somente para isso.

E agradeço a pessoas com quem conversei por cinco minutos pela epifania.

Faz sentido. Faz parte do que está gravado na carne. De quem não é de lugar algum.

Tuesday, August 18, 2009

Sem licença poética

Um diário cru. Sem trocar hoje por ontem e sempre e vice-versa, vice-versa. Eu por ela por ele por eles pela ausência (que se assume definitivamente com minúscula).

Lição 1 – prática epistolar:

Hoje fui ao consulado. Por algum estranho motivo, sempre sou bem tratada por lá. Finalmente vi a Virada Russa. Detestáveis guardinhas do CCBB que não deixam tirar foto para usar de papel de parede no celular. Gostei da Natalia Goncharova, que não conhecia. Finalmente fui buscar a carteira de motorista. A foto ficou incrivelmente boa. Poderia ser sempre assim. Terminei um dos livros ontem. Falta a metade de outro.

Queria contar várias coisas. O show do Yann Tiersen nas cercanias parisienses no dia do seu aniversário. Estarei lá sozinha, estendida na grama, sol na cara e um cigarro na mão. La dolce vita. Ouvi pela primeira vez The Bird and the Bee. Altos muito altos e baixos muito baixos. Polite Dance Song. Clipe totalmente lynchiano. Encontrei amigos que não via há anos no show de sábado. Trocamos figurinhas sobre música, projetos, trabalhos, amigas com crises de ciúmes que beiravam o surrealismo.

Cheguei à conclusão de que minhas histórias da última temporada no Velho Continente vão de Buñuel a telenovelas mexicanas.

Lá aprendi a esconder quase bem minhas feridas. Ganhei mangas compridas permanentes sobre meus braços. Parei de escancará-las, enfiar os dedos lá dentro e esfregar o sangue por todo o corpo do outro. Hoje, no máximo, quando goteja, dou uma lambidinha. Gosto do sabor, é inegável.

Você sabia que já fugi para Paris fantasiada de Ingrid Bergman?

Continuo achando “Os Sonhadores” uma merda e o Louis Garrel, pelo menos nesse filme, não me faz mais Oh-la-la-la-la...

Tenho a impressão de que os verdadeiros escritores nunca terminam suas cartas com as formalidades conhecidas.

Só assinam.